Friday, November 30, 2007

Prospecção


Não são pepitas de oiro que procuro.
Oiro dentro de mim, terra singela!
Busco apenas aquela
Universal riqueza
Do homem que revolve a solidão:
O tesoiro sagrado
De nenhuma certeza,
Soterrado
Por mil certezas de aluvião.
Cavo,
Lavo,
Peneiro,
Mas só quero a fortuna
De me encontrar.
Poeta antes dos versos
E sede antes da fonte.
Puro como um deserto.
Inteiramente nu e descoberto.

Miguel Torga, Prospecção


3 comments:

Anaísa Mexia said...

O que deveria ser o sentimento de todo o Arqueólogo... e felizmente o é para muitos =)

Rui Caetano said...

Adorei os versos "Mas só quero a fortuna/De me encontrar."
Quando traçamos esta meta para nós, quer dizer que sabemos muito bem o que estamos a fazer neste nosso mundo.

espaço história & arte said...

Lindo...! Miguel Torga é fabuloso!! gostei do paralelismo c a prospecção arqueologica!! Bravo

cumprimentos
Emilia Nogueiro